UMA PANDEMIA CHAMADA SUICÍDIO: CONTEXTOS E SUBJETIVAÇÕES (parte 1)

( ...suicidar-se: do latim: ocidere, que significa cortar, esmigalhar, partir em miúdos, ferir mortalmente a si mesmo...)

Mauro Cesar T. Stielgler

 A psicopatologia cotidiana traz em seu bojo alicerces tão subjetivos do sofrimento humano que mesmo diante da pujança da dor em que estorcega, faz com que a mesma muitas vezes passe despercebida...

 O suicídio, por certo aí se configura: algo silencioso e discreto, que ensaia as vezes por períodos mais ou menos longos antes do ato derradeiro.

 O ensaio a que me refiro, diz respeito aos pensamentos de acabar com a própria vida, depois com leves autoferimentos , depois para autoferimentos mais agressivos, chegando depois na automutilação. Isso tudo constitui um ensaio ou exercício para o autoaniquilamento que então já não assusta muito o candidato ao suicídio, pois experimentar a dor em graus cada vez mais dilaceradores constrói por assim dizer uma espécie de coragem.

 O ato de auto ferir-se ou auto de mutilar-se pode não evoluir para o suicídio, tendo em vista que aqueles são atos de transferência da dor subjetiva das esferas psíquicas/emocionais para o campo somático (corpo). No entanto é um sintoma que merece a máxima atenção, na maioria das vezes denunciando estados insuportáveis de sofrimento do sujeito; portanto nada tem a ver com chamar a atenção somente; mesmo que fosse já é sinal de que algo não vai bem...

 Rapidamente vou falar de dados estatísticos, por que afinal precisamos ir para o cerne do problema: São no mínimo 4 suicídios a cada segundo no mundo,mas pode ser bem mais...

 Sobretudo o suicídio apesar de explicitar-se como ato rápido e violento no momento de sua consumação, estrutura-se como uma enfermidade multidimensional; fatores biosociopsicológicos são elementos intrínsecos no drama do suicídio.

 Exemplos: ambiente familiar conturbado, abusos, desamparo, vícios químicos, desilusões amorosas, crises financeiras graves (falência), depressões severas, notícias de diagnósticos irreversíveis e junto com isso um dos fatores mais complexos: a consciência de culpa; isso por atos realmente praticados, transferências por genitores e vice versa ou ainda por traços de personalidades que facilmente carregam o mundo nas costas e sentem-se culpadas por tudo e por todos. Eis aí algumas causas do suicídio, mas não de forma absoluta.

 O ato consciente de auto aniquilação de forma geral é a tentativa de acabar com a dor, de estrangular o sofrimento de modo absoluto, o qual muitas vezes sendo visto sob outros prismas faz com que o sofredor mude de ideia e direção, optando pela vida e pelo enfrentamento dos problemas.

 Na esfera familiar o ato mais positivo é dar abertura para que se fale do problema, mesmo o tema sendo indigesto, pois é só com diálogo que se pode aproximar-se do sofrimento do outro e em certa medida compreendê-lo para então de forma adequada ajuda-lo.

 Ato contínuo, sendo os sinais e sintomas descritos descobertos, imediatamente se deve procurar ajuda profissional. Nestes casos, pacientes que sintomatizam automutilação, ou autoferimento ou ainda a ideação suicida (e ambos juntos), necessitam tanto de psicoterapia continuada como de intervenção psiquiátrica urgente.

 Por isso que desconstruir o tabu em torno das psicopatologias cotidianas se faz urgente; nos entendermos como seres complexos e passíveis de momentos graves de sofrimentos é o caminho. Não tentar fechar os olhos e negar por exemplo a filha(o) que está ali ás portas do suicídio.

 O momento é grave; diante da pandemia do COVID, das guerras midiáticas e das mutações sociais que nos obrigam a novas formas de vida em velocidade avassaladora, a propulsão para o desenvolvimento e ampliação de novas formas e subjetivações do sofrimento é algo real, está aqui a um palmo do nosso nariz.

 É esse o nosso tempo; não há para onde fugir, mesmo por que os ciclos nos mostram que logo mais uma nova alvorada mais bonita poderá florescer.

 Portanto, não desista, procure ajuda e vista-se um pouco mais de esperança, vale a pena!

 O suicídio não é o caminho!



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