Torna-te quem tu és

(...) 'demore o tempo que for para decidir o que você quer da vida, e depois que decidir não recue ante nenhum pretexto, porque o mundo tentará te dissuadir'.(...) Friedric Nietzsche

Mauro Cesar Telesphoros Stiegler - Psicólogo Clínico - CRP 12/17668

Em termos de existência, todos nós somos portadores de uma herança, biológica e acentuadamente também psicológica. 

O caldo psíquico em movimento na atmosfera familiar, cuida naturalmente de fixar padrões de comportamento e pensamento, que formarão por consequência a própria personalidade do indivíduo.

Acontece que pela repressão e expectativas transmitidas pelos cuidadores ou membros diretos (babás, pai/mãe, avós, tios, etc...), construímos conteúdos de sombra, (desconhecidos) ou nublados, que colaboram na construção de um ego distorcido e falso, ou seja, com elementos do clã familiar, quer sejam eles inseridos em padrões e crenças que eles aprovam e gostariam de ver concretizados em nós ou aqueles que eles mesmos tentam reprimir e negar desesperadamente em si mesmos.

Com isso crescemos e nos desenvolvemos tentando atender expectativas alheias, projetadas em nós pela frustração de outros, e ignoramos nossa própria singularidade, vivendo sem saber quem de fato somos.

O trabalho de conhecer e dialogar com a própria sombra, exige coragem e esforço contínuo, é um projeto de vida, remontando às vivências traumáticas, mas também aqueloutras felizes, por que também estas muitas vezes são reprimidas, pelo medo, incapacidade ou até inveja inconsciente dos nossos genitores.

Esse garimpo, que constitui um processo de transmutação de conteúdos, ou processo alquímico como diria Jung, é a obra de ouro por excelência da psicoterapia com bases junguianas, resgatando e caminhando com o paciente/cliente para o que se entende por cura integral.

Descobrir o falso eu, o eu perdido e o eu reprimido, é a chave para adentrar em uma caminhada de mais fidelidade aos seus anseios, vontades, sonhos e vocação.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, é conhecido também como o "filósofo do martelo; o martelo filosófico deste pensador, entra em cena como a ferramenta necessária para quebrar e até destruir as tradições, modelos e comportamentos aprendidos e dessa forma reinventar-se, ouvir-se, sentir-se e tornar-se quem realmente se é.

A proposta mencionada não é nada fácil; confere decepcionar familiares queridos muitas vezes (que dificilmente entenderão seu projeto de reinventar-se), ser alvo de julgamentos e não poucas vezes experimentar solidão, pois sentir-se deslocado é um dos primeiros "sintomas" de quem pretende ser fiel a si mesmo (a). 

Muito embora o preço de descobrir-se uma cópia ou mero repetidor (a) de padrões e tradições que no íntimo você nunca apreciou ou até odeia, será bem mais amargo do que enfrentar o descontentamento dos tradicionalistas e mudar o que se deseja, nos arrastamos nesse empreendimentos deixamos semore para amanhã. 

Importa sobre tudo refletir que cada passo em afastamento da sua própria essência confere imediatamente uma aproximação a mais do adoecimento psíquico e até físico; adoecimento existencial como num todo.

Projetos existenciais, como por exemplo esse de descobrir-se, mudar o que realmente se deseja e avançar, implica muito mais coragem e disciplina do que qualquer outro projeto material; isso por que o projeto existencial, não terá aplausos, nem platéia e nem reconhecimento e, mesmo desistindo não haverão cobradores ou cobranças bancárias; ou seja, você pode abandonar quando bem entender e voltar para zona de conforto. 

Mas uma vez o edifício do projeto existencial em andamento, que possa ser sentido pelo construtor, será então uma ótima ida sem volta; já ninguém mais lhe segura e teus ouvidos e olhos já não mais se perturbarão com as tentativas de desencorajamento vindo dos alheios....

Que tal tentar?




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