Para onde estamos indo?

Mauro Cesar T. Stiegler

"pode-se dizer que tudo que o que sabemos, tudo o que podemos, acabou por opor-se a tudo o que somos." Paul Valéry

Talvez jamais na história da humanidade, se viveu um período de tão radical e veloz metamorfose; especialmente no campo das concretudes, materializadas sobretudo no cenário das máquinas digitais.

Tomado de invenções maravilhosas e destinos incertos e até sombrios, o mundo moderno de ontem mostra um desmoronamento irreversível. O classicismo , o belo e o profundo perdem significância dando lugar à uma espécie de glória de vazios, de efemeridades que acordam sob aplausos e ao pôr do sol se escondem das vaias...(claro que a contemporaneidade não é apenas isso)

Parece que o passado e o futuro, que são as duas maiores invenções da humanidade em termos de tempo, desaparecem diariamente, dando lugar à um presente eterno, mas sem memória. Esse eterno presente nada tem a ver com o fruir o agora saudavelmente, antes de tudo configura a desesperança e desespero frente ao elemento caótico emparelhado pela proposta tecnocêntrica que despreza a substância humana em quase todos os setores.

Contudo, em aspectos outros, não há como falar do velho e desfeito mundo moderno (SÉCULO XV até XX, há discordâncias de épocas) sem reconhecer determinadas heranças usufruídas e repetidas por nós, os pós modernos ou contemporâneos. Desejo neste aspecto discorrer sobre uma espécie de herança maldita da modernidade.

Os grandes massacres, regimes totalitários, indiferenças perante as subjetivas formas do sofrimento humano, são emblemas notáveis da era moderna; o domínio de instituições tomadas e administradas por autoridades inumanas e perversas que não mediam esforços e nem consequências em nome do poder, eram realidades comuns nesse tempo...

Neste aspecto ainda somos fiéis em repetir os mencionados descalabros, embora com camuflagens palmilhadas de um humanismo falso.

Ainda massacramos, negligenciamos e submetemos os mais fracos ao império doente do nosso ego narcísico. Dessa forma as trincheiras e valas estão sempre frescas e prontas para confrontos ou sepultamentos com pouco ou ou nenhum sentido...

Mas também foi nessa era que viveram Bach, Mozart, Beethoven, Shakespeare, Goethe, Einstein, Tarsila do Amaral, Nise da Silveira, Freud, Jung, Nietzsche e tantos outros...

Os mencionados e mencionadas nos deixaram testamentos intocáveis e incorruptíveis, cada um em suas áreas, mas permanecem vivos.

Não posso negar à mim mesmo que há um prelúdio no ar; ares de um porvir capaz de dar conta do por quê da vida e suas nuances confusas. Se vê isso quando assistimos palestras de gente de bom nível e nos surpreendemos com mais de 100 mil internautas grudados nas plataformas, comentando, compartilhando e curtindo. É um começo.

Mas para escriturarmos um valioso testamento para o porvir, ainda há muito que se fazer.

A ciência irá continuar avançando, a tecnologia digital também, a astronomia, a nanotecnologia da mesma forma....

Mas há também que se resgatar e voltar à literatura, ao teatro, ao cinema, à música (eu disse música), à poesia...

Precisamos disso também, para que nosso testamento não se restrinja à apenas um exército de cérebros presos à um tubo digestivo com um aparelho celular na mão.




Banner-Jornais-Unidos-Pela-Vacina-180-x-210-px.png

anuncie_aqui.jpg

TM JORNALISMO LTDA. | (47) 3644-9395

Rua Otto Dettmer, 40, Bela Vista, Cep 89295-000, Rio Negrinho/SC

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Jornal do Povo