Pandemia e as doenças psíquicas

(...) quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda Carl Gustav Jung

Mauro Cesar Telesphoros Stiegler - Psicólogo Clínico - CRP 12/17668

Os sinais de que a pandemia mexeu não apenas com o corpo, mas com a cabeça dos brasileiros estão no ar, nas farmácias, na internet, nas redes sociais. No ambiente virtual, eles se revelam sob a forma da escalada na procura por assuntos e substâncias como os relacionados à dificuldade para dormir, que cresceram quase uma vez e meia no mais conhecido motor de busca da web. 

No mundo físico, esses indícios se concretizam sob a forma da disparada nas vendas de medicamentos das classes dos ansiolíticos, hipnóticos, estabilizadores de humor ou antidepressivos, que aumentaram em alguns casos até 80%. Uma realidade que agravou o quadro de parcela da população já adoecida mentalmente, como revelam dados do Ministério da Saúde. 

Não parece por acaso que a venda dos medicamentos relacionados a distúrbios psíquicos tenha chegado a 3,76 bilhões de comprimidos nas farmácias brasileiras nos 12 meses terminados em maio deste ano. 

O total equivale a 5,75% de aumento em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo os dados mais atuais da consultoria IQVIA, especializada no setor farmacêutico. Em maio, ainda de acordo com a empresa, o crescimento na comercialização de antidepressivos, especificamente, foi de 9,62%.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sincofarma-MG), no recorte para Belo Horizonte e região, as vendas de zolpidem, remédio para dormir, e clonazepam, um calmante, aumentaram 10% na comparação entre o período antes da pandemia e agora. 

Quanto à sertralina, medicamento antidepressivo, o índice de crescimento da procura é de 80%. O nível mais significativo de consumo desses tipos de medicamentos, conforme o sindicato, é observado na Zona Sul da capital mineira. 

No Brasil, balanço do Conselho Federal de Farmácia (CFF) dá conta de que a procura por fármacos anticonvulsivantes, que atuam contra a epilepsia, passou de mais de 6 milhões de unidades, em abril de 2019, para mais de 7,5 milhões no mesmo mês de 2020. 

Quanto à venda de antidepressivos e estabilizadores de humor, usados nos casos de transtornos afetivos, como depressão, distimia (neurose depressiva) e transtorno afetivo bipolar, o índice saltou de mais de 7,6 milhões de unidades, no quarto mês do ano passado, para mais de 8,8 milhões em abril de 2020. 

Além da evolução nas vendas de ansiolíticos e antidepressivos no período da pandemia, também aumentou substancialmente nesses meses o consumo dos fitoterápicos que aliviam sintomas de ansiedade.

A coluna de hoje está carregada de números e índices não é leitora/leitor? Sim, eu sei, mas dei essa volta para alertar que mais uma vez, os psicofármacos são sim nossos aliados, no entanto, sem uma revisão do ser humano, sobre a causa das suas inseguranças, do seu pânico ou sua depressão, seremos apenas consumidores, dependentes e sem uma saída para nossos sofrimentos. 

Cumpre assim, exercer nossas funções existenciais de maneira mais lúcida; eleger os reais valores que nos fazem bem, filtrar as toxinas cotidianas (pessoas, lugares) e caminhar sempre em busca de si mesmo(a); da nossa vocação, dos nossos gostos e pares que realmente nos fazem bem.

Isso não é tudo, mas sem dúvida é a base para quem queira reconstruir ou resgatar a saúde psíquica real.



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