O Incontrolável Medo

(...) 'o bom mesmo é quando alguém podendo voar, encontrar até outros ninhos, prefere livremente ficar e partilhar com você'(...)

Mauro Cesar Telesphoros Stiegler - Psicólogo Clínico - CRP 12/17668

A angústia e o medo da solidão nos fazem sentirmo-nos na possibilidade de controlar situações e pessoas visando quase sempre com isso um determinado ganho ou segurança...

Seja exigindo de forma descabida a presença dos nossos mais próximos, por vezes até o afastamento de quem julgamos uma ameaça para as nossas relações, o fato é que vez ou outra nos tornamos controladores, consciente ou inconscientemente.

Animais biologicamente falando e com heranças da ancestralidade mais remota, somos também herdeiros do medo, emoção primária do ser em desenvolvimento.

O medo é sem dúvida colaborador nas estratégias de defesa diária, na sobrevivência e previdência para uma vida mais segura. Porém quando mal administrado, toma proporções incontroláveis no universo individual, o que, faz com que reste para o amedrontado tornar-se desesperadamente controlador.

Nas monumentais obras de Freud, "Mal Estar na Civilização", "Além do Princípio do Prazer" e Totem E Tabu" e nas de Jung " Civilização em Transição" e " O Homem e seus Símbolos", fica demonstrado os fortes elementos psíquicos que se fazem inseparáveis da existência humana...

Grosso modo, desejo falar da falta, do sentimento de desemparo e do medo da morte. Fatores esses presentes e pulsantes; dirigem nossos passos; ditam nosso destino se não nos tornar conscientes deles. 

Haja vista sabermos da extensão tóxica que o medo em demasia causa em nosso entorno, é mesmo assim difícil controlá-lo quando chega avassalador e dando roupagem catastrófica muitas vezes em contextos nenhum pouco ameaçadores. Daí, nascem então as personalidades controladoras, que de pano de fundo são "simplesmente" medrosas, com doses altas de egoísmo é claro...

As consequências desproporcionais começam aí. O indivíduo de medo incontrolável, tornando-se controlador como uma das últimas alternativas para se sentir segurança e conforto, começa terrível e toxicamente controlar...

A vida das pessoas a sua volta, as relações alheias; os amigos dos amigos que ele não quer por perto para não sentir-se ameaçado; o casamento dos filhos por que os quer para ele, os colegas de trabalho por querer a atenção do supervisor só pra ele; a manipulação de jantares e festas para que seja exatamente como melhor lhe pareça; a escolha pelos outros para não correr o risco de que os mais próximos percebam que a vida pode ser boa com mudanças e assim percebam que precisam menos deles... 

Essa é apenas uma pequena lista do que a toxidade e egoísmo do (a) controlador(a) tem por objeto, ou seja, controlar situações e pessoas para sentir-se confortável.

O outro viés é de colocar-se como vítima; com argumentos de que só fez isso ou aquilo por que quer o bem dos seus mais próximos e jamais queria ter causado algum mal. Precisa muita atenção sobre esses comportamentos e indivíduos, pois o impacto no conjunto familiar ou individual é tão grande e devastador que é capaz de acabar com relações e contextos inteiros.

O sentimento de falta, de desamparo, de medo de um modo geral é inerente como falamos, a todos nós, cumpre por certo construir um estilo existencial cada vez menos dependente e egoísta para sermos libertos e libertadores daqueles que dizemos amar.

Procurar sentir prazer estando também só, fazer uma viagem na companhia de si mesmo(a), passar ao menos um final de semana exercitando solitude, seria no mínimo um bom exercício para uma vida que se faz livre e liberta o entorno, tornando-se leve e realizador da própria vida, proporcionando o mesmo para os do seu clã... 

Esforcar-se para não controlar a vida alheia, é o primeiro passo; parar de deixar-se ser controlado, o segundo. Fácil? Nem um pouco, mas necessário para quem busca uma vida saudável.

Afinal, a única pessoa de que sou verdadeiramente dono, sou eu mesmo, então para que tanto medo e controle?




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