Formas Diversas e Subjetivas de Adoecer em 2021

(...) 'eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo'(...) Raul Seixas

Mauro Cesar Telesphoros Stiegler - Psicólogo Clínico - CRP 12/17668

    Há mais de um século, Freud falou e escreveu sobre o potencial de adoecimento do corpo e da mente tendo em vista o sujeito que viva sob padrões rígidos e repressivos.
     Explicando: conceitos como: engole o choro; sou assim e não mudo; nasci com essa crença e vou morrer assim; é assim mesmo, fazer o que?; são estados interiores de inflexibilidade que nem sempre correspondem á vontade genuína do indivíduo.
    Marcadamente as civilizações ocidentais, trazem como marca uma rigidez que ultrapassa o conceito de rigidez sólida para algo do tipo "rigidez petrificada" (como se toda a rigidez assim já não fosse).
    Não bastasse já esta herança antroposociopsicocultural que amaldiçoa-nos com a praga da rigidez e de que temos que ter ideias inemovíveis, contamos agora, de uns 6 anos para cá, com os discursos polarizados da política brasileira.
    Se você votou em alguém não tem o direito de reclamar e nem mudar de ideia; se não vota na esquerda extrema ou na direita extrema estaria em cima do muro; se batizou-se em uma religião morra nessa mesma crença...
    Ora pois, somos seres em desenvolvimento, em constante aprendizado; as experiências e a própria maturação individual fazem com que amanhã eu prefira açaí ao invés de cerveja. Mas espera, você não pode, tem que ser "homem de uma palavra só", uma vez x sempre x e blá blá blá blá...
    Expressar-se, dizer sim e não com vibração sonora no peito e no ar, desde que com o devido respeito às opiniões contrárias, é saúde, é longevidade...
    Em um célebre livro intitulado A Biopatia do Câncer do psicanalista e depois psicoterapeuta corporal Wilhelm Reich,  fica demostrado de forma científica e brilhante o quanto a rigidez, o não permitir-se ser quem realmente somos adoece-nos, de forma grave e irreversível muitas vezes...
    Portanto, não mudar, enrijecer-se , seriam formas diversas e subjetivas de adoecer sim.
    Por isso pensei que um pouco mais de Raul Seixas, com sua metamorfose ambulante nos cairia bem neste 2021.
    Cada qual à seu modo; permitir-se mudar de ideia, de partido político se for o caso; de religião se por acaso não estiver encontrando respostas e conforto naquela que está comungando no momento; experimentar um novo estilo musical ou uma nova forma de vestir-se...
      Mudar seria a palavra; arriscar mais, se explorar.
    A vida, será mais vida se for tecida em experiências cada vez mais pujantes e fiéis aos teus reais valores; aqueles que você acredita e que te fazem bem. Saindo disso é movimento de agradar meia dúzia e em troca receber frustrações e indiferença.
    Meus votos de Ano Novo são aqueles de uma vida mais audaciosa, mais corajosa e de fidelidade a si mesmo(a)...
       Em outras palavras; uma vida em constante metamorfose!
    Saúde existencial à todas(os)!
    

    

    




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