Efemeridade e projeto

O domingo amanhece respirando uma das estações para mim das mais belas: outono!

Mauro Cesar Telesphoros Stiegler - Psicólogo Clínico - CRP 12/17668

Digo uma das, por que eu gosto mesmo é do inverno (só falta analistas diagnosticaram que isso é coisa de gente deprimida, negativa), mas não darei a mínima importância, por que é no inverno que acordo ainda mais cedo, me movimento, me torno mais criativo e entusiasmado, por tanto hoje, que já o outono faz presença, começa uma alegria nova para mim.

Tomo meu café ritualístico, nada especial substancialmente falando, huhum mas os ovos fritos , o pão e o café coado me faz sentir uma certa realeza, já que essa iguaria é escolhida interinamente por mim; um desejo sentido por mim e eu mesmo atendendo nos detalhes; perfeito, um rei sem súditos! Uma utopia talvez num país que ainda sabe pouco sobre subserviência....

Na sala tocando Tchaicovski, compositor russo brilhante e próximo a mim a obra Irmãos Karamazov, de Dostoieski, autor também russo o qual estou mergulhado na leitura...

Mas o que realmente está me prendendo a atenção nesse momento é minha gatinha Téia, a mais novinha; ela está empenhada em pegar pequenas moscas por aqui, concentrada no seu projeto , não desconcentra um segundo se quer. E a mosca? A mosca está sendo fiel ao seu destino efêmero de viver apenas algumas horas, isso se a Teia for infeliz na caçada, do contrário lá se vai uma jovem mosca por consequência de uma morte trágica...

Na clássica película alemã Cerejeiras em Flor da diretora Doris Dorrie, vê-se ao longo do filme pequenas cenas de uma mosca, propositmente é claro, para chamar a atenção sobre a brevidade da vida, da chegada do por do sol que se põem mesmo, sem piedade e muda a paisagem num piscar de olhos.

Ao lado da obra Irmãos Karamazov vejo também o livro O Ser e o Nada, de Sartre, que em linhas gerais (em outras obras dele também) é uma proposta de vida baseada em projetos, em ações ou se quiser entender, em um sentido, do contrário a consciência da efemeridade seria algo insustentável....

Assim, como bom Sartriano começa minha angústia de domingo; o que estou fazendo dos meus minutos e dos meus anos; até quando uma Teia da vida vai passar despercebida por mim e me deixar no meu nada , voando de cá pra lá, ou se dará conta da minha presença e insignificância e me abocanha sem compaixão?

Sinto sede e fome de conhecer, de fazer, de projetar;a balada russa toca mais alto e minha angústia (positiva) aumenta; quero mais e melhor, tudo o que eu possa fazer por mim e pelo outro!

Já encontrei o sentido do meu domingo.

Antes mais uma xícara do meu majestoso café (Melita tradicional, por que também tenho pequenos lances de conservadorismo); olho a paisagem da minha cidade e realmente está cinza, nublado; a alegria me invade e já posso começar a criar, sonhar e sobre tudo realizar....

Obs: A Téia acabou de comer uma mosca, foi rápido, num piscar de olhos

Bom dia de domingo!

#consciência #responsabilidade #pensarcoletivamente



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