O menino azul - 11

José Kormann

O CONVENTO É INVADIDO

Com a descoberta que o Monge Felipe era, em realidade, o Marquês Tangüi de Coetquen e consequentemente o pai do Menino Azul, deu-se então ali uma rápida entretroca de ideias, pensamentos e explicações; mas os assaltantes já começaram arrombar as portas do convento e assim, por ordem do prior, Tangüi e o Menino Azul, acompanhando Doloroso ao secreto túnel de saída, que ali os deixou e foi abrir a comporta para que a sala das joias fosse inundada e os objetos sagrados a salvo de graves profanações que os maliciosos gostavam de fazer.

Mas oh surpresa! Quando Doloroso lá entrou ali já encontrou o ganancioso ferreiro, falando sozinho, pois que finalmente encontrou a riqueza tanto esperada, mas ao ver Doloroso tentou agarrá-lo e avançou sobre ele com uma barra de ferro e gritando:

- Não reparto essa riqueza com ninguém. Ela é minha, só minha! Valeu a pena matar tanta gente e você fujão desgraçado da minha ferraria. Você vai morrer agora mesmo e por minhas próprias mãos! Como gosto de fazer isto.

Doloroso já junto da comporta que permite a entrada do rio para inundar tudo, ainda falou:

- Quem vai morrer aqui e agora é você ferreiro; lembre-se de sua alma que pode ir aos infernos.

O ferreiro ainda gritou:

- Se nunca gostei de sermões, muito menos agora que fiquei rico e muito menos de você seu pirralho fedorento.

O ferreiro ergueu a barra para esmigalhar a cabeça de Doloroso que rápido pisou sobre a trava da comporta e o rio entrou inundando a sala. O ferreiro assustado parou enquanto Doloroso correu e apertou outra tramela e a porta girou e Doloroso saiu. Fora Doloroso se ajoelhou e rezou pela alma do ferreiro, enquanto de dentro ainda ouviu os berros desesperados do ferreiro, até que finalmente um silêncio completo com tudo terminou. Doloroso correu ao corredor secreto onde encontrou o Marquês Tangüi em conversa animada com seu filho o Menino Azul, agora um marquesinho. Triste fim de tantos: dos dois irmãos de Tangüi, do ecônomo e sua pobre e infeliz filha, do malvado ferreiro, da caridosa Joana Fiandeira, da bondosa Branca Halgan e os monges do mosteiro que tanta caridade praticaram e todos eles foram martirizados. Mas é lá no além onde cada qual recebe em absoluta justiça aquilo que bem mereceu aqui no aquém.




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