O menino azul - 10

José Kormann

O CONVENTO ATACADO

Um dos monges de quando em quando pegava a canoa e descia o rio até a Vila de Coetquen para vender alguns produtos dos monges e reabastecer de outros o convento. Dessa vez, ao voltar, veio com más notícias: a revolução anticatólica passou a invadir e queimar igrejas, conventos e escolas cristãs. Até famílias eram atacadas e assassinadas. Os revolucionários do ferreiro estavam se preparando para atacarem e saquearem o convento. Diante disso os monges começaram a preparar-se para o martírio coletivo. Doloroso deveria fugir com o menino azul, mas o Marquês desejava ficar e antes de morrer ser oficialmente recepcionado na ordem religiosa. Tudo pronto. Tudo decidido. Doloroso e o Menino Azul fugiriam por um túnel secreto após a ordenação sacerdotal do Monge Felipe, como Tangüi era religiosamente conhecido na Ordem dos monges, mas antes de fugirem, Doloroso abriria a comporta que permite que o rio entre numa sala subterrânea onde colocaram os vasos sagrados e outros objetos de ouro usados em cerimônias religiosas. Tudo pronto para a cerimônia de ordenação sacerdotal de Felipe. Noite escura, mas a igreja iluminada a luz de velas. Ao longe já se ouvia o barulho dos revolucionários que se aproximavam aos berros e ódios diabólicos. Vinham animados, orientados e estimulados pelo ferreiro. O prior do convento chamou o diácono Felipe a fim de apressar a ordenação e nessa hora era de regra apresentar a pessoa pelo nome civil ao receber o Sacramento da Ordem e por isso declarou a alto e bom som:

- Vamos agora ordenar o Diácono Felipe para que ele possa ser martirizado como sacerdote; Felipe, no mundo, era conhecido como Marquês Tangüi do Feudo de Coetquen. Quem souber algo contra essa ordenação que, sob pena de pecado mortal, fale agora ou cale-se para sempre.

Um murmúrio de surpresa perpassou o recinto da igreja. Por três vezes o prior repetiu. Mas após a terceira vez ouviram no fundo templo alguém gritar: Eu!

Tangüi olhou, apavorado e triste, pensando quem nesta hora suprema, mais uma vez, quer atrapalhar minha vida? Mas pelo corredor central, aproximava-se Doloroso com o Menino Azul na mão e chegou junto ao prior dizendo:

- Se este é o Marques Tangüi do Castelo de Coetquen, viúvo da Marquesa Branca Halgan, ele não deve morrer agora pois ele é pai desse menino que chamam de Menino Azul.



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