Nosso Jardim - 06

José Kormann

PARADA - 05

- LAR DOCE LAR -

"Quem casa quer casa", diz o adágio popular e isso é claro e muito bem lógico. Cada nova família é uma nova célula-mãe da sociedade e como tal deve querer se realizar o mais plenamente possível. Assim todo novo casal quer sua residência particular por mais simples que ela possa ser.

As bem primeiras casas na floresta, geralmente, eram feitas de taquara com paredes desse vegetal e cobertas por um transado de folhas do mesmo vegetal. Isso, se bem feito, tornava-se resistente e realmente protetor por um bom tempo, às vezes até por alguns anos.

Nossa região, quanto a suas casas, recebeu influência cultural do caboclo do mato e do caboclo citadino, do índio Xokleng e do europeu de várias localidades diferentes da Europa e também um algo dos tropeiros gaúchos que, por nossa região também passavam, mas não em quantidade realmente significativa.

Já nos lugares levemente urbanizados ou mais próximos de aldeias, escolas, capelas, ou casas comerciais construíam-se lindinhas e bem aparelhadas casas chamadas de "meias-águas". Cada meia-água conduz a água da chuva para um só lado da casa. Depois, depende do progresso, ou até já na mesma construção, faziam-se duas águas ou até mais águas.

Em NOSSO JARDIM, Parada - 05, temos um bom exemplo de casa com duas águas, elaborado pela Arquiteta Daniélle Ferreira. Assim materializando primeiro seus sonhos, com muita coragem foram, aos poucos, sendo construída a linda cidade de Rio Negrinho composta de vários diferentes estilos, muitos dos quais já não mais existentes entre nós. Talvez algumas fotografias as possam relembrar.

Fato curioso é que as bem primeiras casas e Rio Negrinho, mesmo as já luxuosas e lindas, inicialmente não tinham vidro em suas janelas. Eram ventarolas de madeira. É que não era nada fácil conseguir vidros para isso. Só alguns anos depois se abriu uma fábrica de vidros em Reichenberg, hoje Lençol, que também fabricava garrafas e joias de vidro. Os reichenbergers eram muito práticos nessa faina e gostavam dela, mas não a levaram avante.

Outra curiosidade era que naqueles tempos iniciais não existiam olarias por aí. Telhas e tijolos? Nada. Cobriam-se então as casas, mesmo as grandes e luxuosas, com tabuinhas lascadas de velhos pinheiros. Isso se tornava uma cobertura a toda prova e até por muitos e muitos anos. Assim há não muito tempo atrás ainda se viam algumas construções com estas coberturas; mas, tudo já se acabou.

Ainda são visíveis, pouquíssimos paióis construídos a base de madeira falquejada e a construção toda feita por encaixes uma na outra e ainda firmemente unidas por pinos de madeira.

São relíquias históricas que deveriam ser preservadas.



Banner-Jornais-Unidos-Pela-Vacina-180-x-210-px.png

anuncie_aqui.jpg

TM JORNALISMO LTDA. | (47) 3644-9395

Rua Otto Dettmer, 40, Bela Vista, Cep 89295-000, Rio Negrinho/SC

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Jornal do Povo