Por que fazer um experiência de retiro?

Você já foi convidado para um retiro? E já aceitou o convite?

Jaqueline Costa / Lívia Miranda / Fiama Valenga / Rosamaria Hahn

Existem diversos tipos de retiro, para os mais diferentes públicos e objetivos espirituais, mas por que pode ser interessante participar desta experiência?

Retiro, retirar, retirar-se. Se formos ao Evangelho, veremos que o próprio Jesus praticou retiro durante os 40 dias sozinho no deserto. Meditando o mistério da paixão, percebemos que em sua agonia final, Cristo foi de tudo retirado e a tudo retirou-se. Na Santa Ceia, retirou o manto, o lugar de mestre, e lavou os pés dos discípulos. No Monte das Oliveiras, retirou-se para rezar intensamente ao Pai. Foi retirado de suas súplicas pelo beijo traidor, retirado do convívio dos seus pela prisão violenta. Sua dignidade humana foi retirada no julgamento imparcial e tendencioso. Sua integridade física também foi lhe retirada, assim como suas vestes. Até o chão lhe foi retirado quando foi suspenso na cruz. Sem vida, foi retirado da cruz e do mundo, e colocado em um sepulcro.

E nós, o que retiramos para estar com o Senhor? Um poema do livro Considerações intempestivas sobre a oração (Besnard, M.) pode nos dar uma pista:

 “Tira as sandálias dos pés” (Ex 3,5)

pois só pisarás o solo da oração

no reconhecimento da tua humildade.

Reconhece-a e entrarás na verdade

pelo pórtico do fogo.

(...)

Mas a ti a Sarça ardente acenou-te.

E aproximaste-te. A voz é formal:

tira as sandálias dos pés!(...).”

Durante um retiro, tentamos retirar as sandálias. Não as físicas, mas as espirituais e emocionais. Aquelas que, "no vaivém da vida quotidiana" não nos deixam ver e sentir o essencial. Para isso, é preciso voltar-se para dentro, silenciar, analisar a "história de amor de Deus conosco”. Do que somos feitos? Para quê? Isso também pode se dar ao ouvir testemunhos de outros e contrapor histórias, assim retiramo-nos da centralidade em nós para entrar na centralidade do Amor de Deus.

Só podemos conhecer-nos realmente neste movimento de relação, de troca, de comunidade com os outros, conosco mesmos e com Deus. O Senhor conhece-nos muito bem e, às vezes, nos dá a chance de nos conhecermos também. Dizem que não se pode amar nada que não se conhece, sendo assim, conhecendo-nos a nós próprios, encontraremos a Deus, no seu retiro dentro de nós, pronto para se dar aos outros, por meio de nós. Mas isso demanda tempo; Amar demanda tempo, e um retiro pode ser a oportunidade de entender isso e dar tempo para nossa relação com Deus. Com as palavras do padre dominicano Timothy Radclif, em seu livro As sete últimas palavras: "A perfeição do amor implica tempo livre, em que cada um possa ser receptivo ao outro, com uma atenção quase passiva". O Senhor dá-nos esta atenção; fazer um retiro pode nos ajudar a aprender a dar atenção a Ele também. E continuamos tentando...



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