O caminho da Quaresma

No dia 1 de março começou um tempo muito importante na vida do católico, o tempo da Quaresma, os quarenta dias que antecedem a Páscoa

Jaqueline Costa / Lívia Miranda / Fiama Valenga / Rosamaria Hahn
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Já comentamos algumas vezes, em textos publicados nesta coluna, os desafios de ser cristão e de atuar no mundo atual. No dia 1 de março começou um tempo muito importante na vida do católico, do qual muito se fala nas celebrações religiosas, mas que, por vezes, tem pouco reflexo no dia-a-dia. Trata-se do tempo da Quaresma, os quarenta dias que antecedem a Páscoa, e que durante os quais a Igreja Católica nos chama à oração, à penitência e à esmola, além da famigerada abstenção de carne em alguns dias ou, para os mais corajosos, em todo período.

Sabe-se que nos primórdios da Igreja e, sobretudo, na Idade Média, as práticas quaresmais eram realmente levadas a cabo. Todo período sem carne vermelha, sem festas, sem distrações e com muita participação nas missas. Com a evolução dos tempos, estas regras foram ficando restritas a duas datas (quando não a apenas uma!): a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa. Podemos entender que o ritmo de vida atualmente em nada se compara com a Idade Média. O ser humano evoluiu, as relações pessoais mudaram, as cidades cresceram e transformaram nossos dias em “trabalho-casa-trabalho”, uma realidade muito fechada para atividades “fora da rotina”. Sendo assim, como pode ser possível viver a Quaresma de verdade, rumo à conversão?

Primeiro, devemos entender a “conversão” como um caminho que leva a um destino final – e não como o destino em si. Como diz o provérbio “o caminho se faz caminhando”, ou seja, é preciso dar os primeiros passos rumo a essa mudança de relação com Deus com e os outros – e a Quaresma é o tempo favorável para isso. Na realização deste caminho não existem passos pequenos ou grandes, existem passos possíveis de acordo com a realidade e a necessidade de cada um. Existem também passos obrigatórios, como aqueles pedidos pela Santa Madre Igreja durante a Quaresma, por exemplo, abster-se de carne nas sextas-feiras deste tempo. Sim, a Igreja nos pede apenas as sextas-feiras. Não parece muito difícil, não é?

E as outras coisas? Como rezar mais se não tenho tempo? O que dar de esmola nestes tempos de crise? A chave é encarar as ações rotineiras como oportunidades para avançar no caminho da conversão. Vamos a alguns exemplos: sabe o trajeto que você faz de casa para o trabalho ou para a escola e que, geralmente, usa para ler, olhar as redes sociais ou mesmo para tirar aquela soneca? E se, durante esse tempo, você rezar um pouco? Cruzamos tantas pessoas, tantas histórias, talvez a pessoa que está ao seu lado precise da sua oração silenciosa. Você a estará ajudando – além de oração, é também esmola! Sim, porque não podemos entender a esmola apenas como valor monetário, mas também como tempo, oração e atenção doados. Outro exemplo: aquela série de treino difícil que você faz na academia e sempre tem vontade de não fazer. Antes de realizá-la, você pode oferecer aquele esforço que aplicará a Deus, a um irmão que necessite, a um doente. Pode fazer isso silenciosamente no seu coração – o Senhor certamente ouvirá e reconhecerá o seu oferecimento. Até aquela louça do jantar que ninguém em casa quer lavar pode ser mais um passo, desde que feito com o coração, oferecido em oração e com o firme propósito de aproximar-se de Deus com esse gesto. Você também pode optar por não comer alguma coisa de que gosta muito durante este tempo, mas parar de comer simplesmente não basta. A cada vez que “vencer” a vontade, agradeça a Deus e, se possível, economize o dinheiro que você usaria nisso para doar aos que precisam. “Ah, mas não vai ser muito dinheiro!”, lembre-se: o pouco, com Deus, é muito!

Terminamos com as palavras do Papa Francisco em sua mensagem para a Quaresma deste ano: “Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. (...) Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa”.



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