Cruz e abandono

Caminho de filiação

Alice, Amanda, Ester, Thais e Gabriela

Creio que nos últimos momentos deste grande e intenso retiro espiritual chamado Quaresma, muitas inspirações o Espírito Santo suscitou no coração de cada um, de modo singular, aquele passo mais decidido no caminho da santidade. Seja numa virtude específica, uma renúncia que requer heroísmo da nossa parte, uma maior vivência de oração, um amor maior a Deus. Momento de "refinar" este nosso amor com o nosso Pai-Deus. 

Ao longo das últimas semanas, uma das leituras que a liturgia nos convidou a meditar foi a passagem da serpente de bronze, que foi sinal de cura para todos os que eram picados pelas serpentes venenosas e que também é um sinal que revela o Cristo no alto da cruz: "E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim""(Jo, 12,32). Este que está no alto também veio para curar da ferida causada pela primeira serpente, que foi o pecado e que a tantos fez perecer, numa proporção muito maior que aqueles no deserto junto de Moisés. Este que está no alto veio nos curar e dar não somente a remissão, mas também a participação de sua Vida Divina, a sua Filiação.

Gostaria aqui então de fazer memória a uma frase de São João Paulo II: O Amor me ensinou tudo! Meditando então nesse Amor feito Pessoa, que nos ensina tudo, ensina também a amar, e amar como Ele ama. Nesse Tríduo Pascal quer também ensinar como o Pai quer ser amado.

O exemplo mais claro do amor desinteressado, confiante e livre num abandono total, é a imagem de Cristo na cruz, que nada e tudo espera. NADA espera dos homens e deles não recebe nenhum consolo, muito pelo o contrário, sofre as injustiças e os castigos com resignação perfeita, porque TUDO espera do Pai. Que amor abandonado é este? É um amor confiante, e que é esse um ponto de luta para viver esta relação de filhos com o Pai. Confiar e abrir mão da ilusão dos nossos tempos, de que temos o controle de tudo e que no fundo esconde o nosso orgulho e autosuficiencia (feridas causadas pela antiga serpente), é um passo que um filho(a) de Deus contemporâneo é convidado a dar.

Pois bem, no Tríduo Pascal deste ano na real circunstância em que vivemos deste isolamento social devido a pandemia, que oportunidade de vivenciar, de experimentar este abandono também. Aprender com o maior "Abandonado" que viver neste período em que por vezes nos sentimos abandonados, configurarmos esta nossa solidão e desalento com o abandono de Cristo, que se abandona porque confia e sabe que o Pai sabe mais e faz sempre mais. Cristo se abandona porque sabe que a morte não tem a última palavra. Que possamos então ao olhar para o crucifixo que iremos beijar nesta Sexta-Feira Santa, pedir a virtude da Esperança, e olhar em quais os outros pontos da nossa vida este Abandonado quer também nos curar para conduzir aquilo que é eterno.

Gostaria aqui então de concluir com a frase de um santo muito querido e muito me ensina quando o assunto envolve filiação divina, que é São Josemaria Escrivá. "Esse abandono é precisamente condição que te falta para não perderes, daqui por diante, a tua paz". (Caminho 767)

Desejo a você uma Feliz e Santa Páscoa!



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