Tragédia na enchente

Celso e Mariana Carvalho

CIDADE SUBMERSA.

Literalmente, a cidade de Rio Negrinho ficou debaixo da água.

Era o ano de 1992. Na última semana do mês de maio a chuva insistia dia após dia sem parar. Aos poucos o nível das águas dos rios da região foram subindo e transbordaram, então, o que ninguém esperava aconteceu: uma violenta enchente cobriu os telhados das casas. Foi uma das maiores enchentes do século XX em Rio Negrinho. Houveram algumas outras de menor porte, contudo, uma delas, em 1891, foi a maior enchente já registrada em todos os tempos em toda a região norte de Santa Catarina. Esta levou todas as pontes sobre rios, desde Rio Negrinho até Mafra.

LOCAL DA (QUASE) TRAGÉDIA. 

Este lugar é próximo à Ponte do Jibaco e a flecha indica o local do ocorrido. 

Foram registrados muitos feitos heróicos durante a enchente de 1992, e um deles foi quando um barco a motor despejou seus ocupantes nas águas profundas causando terror em todos. 

Alguns pontos da cidade, que estavam fora da enchente, viraram centros de atendimento aos flagelados. Então, surgiram denúncias de roubos aqui e acolá. 

Naquela época, o Vice-Prefeito e Secretário de Educação de Rio Negrinho, o Professor José Kormann, que fiscalizava a distribuição de alimentos e roupas aos flagelados, recebeu denúncia acusando sumiço de alimentos em uma escola e foi incumbido de verificar a veracidade dos fatos. 

O quartel-general da prefeitura fora instalado na Praça do Avião no prédio da Câmara dos Vereadores. Dali, para ir até o local da denúncia, José foi levado de barco a motor até a linha férrea acima da Ponte do Jibaco e, daquele ponto em diante até a escola, o trajeto foi feito a pé. Na escola constatou-se ser falsa a denúncia. Na verdade, tudo caminhava bem, as coisas estavam bem vigiadas e controladas, não havia nenhuma irregularidade e nada estava faltando.


Verificado os fatos, José voltou aos trilhos do trem onde entrou num outro barco a motor, lotado de gente e levando peso excessivo, a fim de voltar ao quartel-general na Praça do Avião para continuar o complicado, importante e incessante trabalho de atendimento à população.

Antes de relatarmos o trágico acontecimento com as pessoas do barco, é bom saber o que anteriormente se passara com este barco e seu condutor.

O rapaz que comandava o barco saía de um ponto e navegava até outro ponto levando e trazendo pessoas. Só que imprimia velocidade excessiva ao barco fazendo ondas na água que atingiam e quebravam os vidros dos balcões em um bar no outro lado da rua e também quebravam vidraças das casas submersas. Uma senhora, dona do bar atingido, reclamou veemente da ação do barqueiro ameaçando-o furiosamente. 

Visto isso, voltemos à travessia desse mesmo barco onde estava o Vice-Prefeito Kormann.

BARCO SUPER-LOTADO.

O barco, como sempre, saiu veloz, mas quando se aproximava do bar em questão, o barqueiro avistou a dita senhora dona do bar esbravejando, e num ímpeto repentino freou o barco diminuindo drasticamente o giro do motor. Essa manobra fez com que a parte traseira do barco afundasse causando balanço e desequilíbrio da embarcação e de seus ocupantes que foram despejados na água nas imediações da Ponte do Jibaco onde as águas eram profundas. Aquela área não dava pé, e quem ali caísse e não soubesse nadar afundaria a vários metros para baixo da superfície e foi ali mesmo que o barco afundou. 

Era muita gente tentando salvar-se a qualquer custo. Gritaria e desespero geral. As pessoas afundavam e emergiam em tremenda confusão gritando por socorro. Tudo fora do controle! 

MULHER SE AFOGANDO. 


A situação era a seguinte: quem sabia nadar safou-se com menor dificuldade, mas quem não sabia se viu nos braços da morte. 

KORMANN TENTANDO SALVAR MULHER.


Nesse momento, José Kormann, que nadava para tentar salvar-se, percebeu uma senhora afundando sem defesa e de imediato nadou até ela. 

Ela afundou, José mergulhou atrás dela e a trouxe de volta à tona, mas quando emergiu, outras pessoas se apoiaram em cima da sua cabeça fazendo com que afundasse.

Então ele a soltou para que não mergulhasse com ele. Quando voltou à tona a mulher havia afundado pela segunda vez.

José insistiu, mergulhou e a trouxe de volta, mas de novo outra pessoa apoiou-se na sua cabeça e o fez afundar e mais uma vez soltou a mulher que afundou pela terceira vez. 

Foi a terceira vez José pôs a cabeça para fora da água para respirar e sabendo da situação dela, mergulhou e a trouxe de volta pela terceira vez.                                                                 

Mas, nesta vez, quando emergiu, um homem que se afogava o agarrou desesperado e os dois afundaram. Então, soltou a mulher de novo para que não afundasse junto com eles deixando-a à própria sorte.

Era quarta vez que Kormann afundava, já estava quase sem ar e muito fraco de tanto mergulhar para puxar a senhora do fundo para a tona.

Lá no fundo, agarrado pelo homem, sem poder nadar, tentou emergir, mas não tinha mais nenhuma condição para tal e teve certeza que ali e naquela hora seria o seu fim.

Numa situação dessa, a pessoa desesperada não solta seu salvador de jeito nenhum, a não ser que... 

Só havia um meio de salvar-se: desvencilhar-se do homem. Não pensou duas vezes, tomado de profunda angústia, desferiu uma violenta cotovelada no estômago do infeliz que o largou na hora.

Quase desmaiando, José veio à tona, mas precisava nadar até local seguro, porém, o vigor o havia abandonado. Ensaiou algumas braçadas, no entanto, seus braços mal se moviam. Reuniu suas últimas energias e penosa e lentamente, inspirado por uma extrema esperança, conseguiu chegar até a cumeeira de uma casa submersa onde se apoiou para retomar o fôlego.

Enquanto recuperava as energias e tentava respirar ainda sufocado, lembrou-se da mulher que tentara salvar e que ficara à própria sorte. Teve muita pena de não poder salvá-la apesar das três tentativas. Teria conseguido se não fosse impedindo por aquele senhor que o agarrou e com o qual afundou. Também se preocupou com o homem - será que ele se salvou? 

Assim consternado, já se preparava para voltar para salvar os dois quando viu, com alívio, a dita senhora sendo recolhida, já desfalecida, por outro barco onde foi salva.

MULHER SENDO SALVA EM OUTRO BARCO

Instantes depois, todos os náufragos estavam agarrados à borda daquele e de outro barco que acorreram ao local, inclusive o senhor que havia agarrado Kormann. Ninguém morreu afogado!

Um grande alívio e alegria invadiram o brioso coração de José que, tomado de novo ânimo, recuperou as forças quase de imediato e, melhor ainda, foi-lhe oferecida uma carona num terceiro barco que se aproximara para ajudar os náufragos. 

Mais um fato positivo: um senhor, vendo José todo encharcado, levou-o até sua casa e ofereceu-lhe roupas secas e um sapato, José, então, pôde voltar normalmente às atividades que foram muitas ainda naquele dia. Noutro dia José devolveu tudo ao pobre senhor que lhe emprestara a única roupa e sapato sobressalente que tinha. 

Mais tarde, José explicou para a mulher, a qual tentara salvar, que fizera o que deveria ser feito: primeiro salvar a própria vida para depois pensar num jeito de salvar a vida dela.

Suas explicações foram recebidas pela ainda assustada senhora, com profunda gratidão. Ela entendeu que, se ele não a tivesse socorrido nos primeiros momentos enquanto se afogava, em poucos segundos estaria morta. Assim, sua vida fora preservada graças ao seu valente salvador.

Parabéns, José! Mais uma vez o Super (Kor)mann virou herói de alguém! Você arriscou a própria vida para salvar alguém! Existe alguma coisa mais heróica que isso?

Pois é! Esse foi um dos dias em que a morte encostou em José. Houveram outros e um deles foi o dia do seu nascimento que relataremos em oportunidade vindoura.

WILLYS BRAIAN - HOMENAGEM.


Para terminar a página de hoje, notificamos o aniversário do jovem exemplar WILLYS BRAIAN PESCHEIDT CARVALHO que, no dia 27 do corrente mês, festeja mais um ano de vida na sua feliz caminhada nesse belo mundo. Toda a sua família deseja-lhe muita saúde, felicidade e sucesso na sua nova carreira como modelo profissional nas passarelas de São Paulo e nas principais capitais brasileiras e em outras no exterior. Sua luta e preparação árduas foram bem recompensadas! Parabéns!

Por hoje é só! Obrigado! Um abraço de Celso e de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!



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