Nascimento (quase) trágico de José Kormann

Uma história de vida ou morte

Celso e Mariana Carvalho

Os avós maternos (Pscheidt) de José vieram da República Tscheca com o navio Humboldt, em 1876, com seus filhos solteiros, dentre eles Francisca Pscheidt. Desembarcaram no porto de São Francisco do Sul. Se estabeleceram em São Bento do Sul. Depois vieram morar em Colônia Olsen, interior de Rio Negrinho.

Os avós paternos (Kormann) vieram da Alemanha. Desembarcaram no porto de Itajaí, se estabeleceram e Guabiruba que pertencia ao município de Brusque, e trouxeram seus filhos solteiros, um deles, Alois Kormann que, depois de moço, veio morar em Rio Negrinho, em Colônia Olsen, onde conheceu Francisca Pscheidt com a qual se casou em 1929.

CASAMENTO DE ALOIS E FRANCISCA.


O casal teve 10 filhos: 1°- Ildegard, 2°- Elisabeth, 3°- Alfredo, 4°- José, 5°- Tereza, 6°- João, 7°- Luiz, 8°- Francisca, 9°- Maria e 10°- Wendelino.

O nascimento de José foi problemático. Nasceu quase morto, foi assim: Era um dia muito frio, inverno rigoroso, o quarto filho do casal Alois e Francisca Kormann estava prestes a vir ao mundo.

No amanhecer de 21/07/1941, Dona Francisca entrou em trabalho de parto. Na residência estavam duas parteiras que dedicavam cuidados à jovem mãe e ao pequenino José que se debatia no ventre da mãe, mas ele não vinha e o sofrimento dos dois foi aumentando rapidamente a cada minuto que passava do tempo para nascer. O trabalho de parto estava difícil e complicado e se estendeu por horas. O esforço da mãe e do filho era tanto que as experientes parteiras entraram em desespero. 

Mas a criança, já sem ar dentro da mãe, resistia bravamente e ainda estava viva. Enquanto Dona Francisca sofria horrores, Seu Alois, sem saber o que fazer, andava prá cá e prá lá suando frio, pedindo a Deus que os ajudasse.

O tempo foi passando penosamente para todos, porém, depois de árdua batalha de mãe e filho, ele veio, todo roxo, quase preto, sem ar, fraquinho ao extremo, quase morto e não se tinha nenhuma esperança que sobrevivesse.

Sentindo-o morto, rapidamente a parteira Rosl tomou-o nos braços e realizou o batismo de emergência que a Igreja Católica permite em caso eminente de morte do recém-nascido. 

Deram-lhe um rápido banho, o enrolaram num cobertor e o levaram para a cozinha a uma altura um pouco acima da chapa do fogão à lenha, para aquecê-lo. As duas parteiras - Rosl e Münch - se revezavam nos cuidados da mãe e do filho. Contudo, a criança não reagia, estava debilitada demais e, realmente, parecia impossível a sua sobrevivência.


Em certo momento, Alois passou a mão na cabecinha do neném, viu-o quase sem vida e gritou: - ele está morrendo! Façam alguma coisa! As mulheres viraram a criança, levantaram-na, fizeram de tudo ao seu alcance. O menino não morreu, mas a tarde se tornou extremamente angustiante para todos, a situação era crítica: morre-não-morre. A casa virou um campo de batalha onde cada um fazia tudo o que podia para salvar o menino e todos guerreavam no jogo da vida e da morte. 

Entretanto, à medida que o tempo passava e o nenenzinho continuava vivo, a esperança aumentava e dava-lhes força para continuar a árdua luta contra a morte. Os cuidados e a preocupação levaram todos à exaustão física e psicológica. 

À noite, a parteira Münch precisou voltar para sua casa para voltar no dia seguinte e a parteira Rosl ficou com os Kormann para dar-lhes assistência.

Na manhã seguinte, bem cedinho, a Sra. Münch voltou à casa dos Kormann e, no caminho, vinha imaginando como enfrentaria a situação fúnebre da criança morta e a tristeza do resto da família.

Enquanto caminhava, rezava profundamente pela alminha do neném e, de repente, num lampejo de um clarão espiritual viu, dentro da mente, o bebê nos braços da mãe, sorrindo e respirando. Foi tomada de uma esperança repentina inexplicável e isso a fez entrar correndo na casa e foi direto ao quarto do casal onde sabia que encontraria a mãe.

Surpresa! Que grande surpresa inacreditável! Milagre! Lá estavam mãe e filho dormindo juntinhos, agasalhados por um cobertor de penas de ganso e a criança, ainda fraquinha, respirava forte com um leve sorrisinho inocente e vitorioso, numa demonstração clara que DEUS É O SENHOR ABSOLUTO DA VIDA!!

Aí, a tragédia virou festa! 

JOSÉ (SENTADO) E SEUS IRMÃOS.


Nesta foto, os quatro primeiros filhos de Alois e Francisca. De pé, atrás: Ildegard; na frente, da esquerda para a direita: Elisabeth, José (sentado) e Alfredo.

José, nos primeiros anos de vida, cresceu raquítico com problemas de saúde, porém, aos poucos, foi se revelando uma criança esperta, ágil e inteligente. Sua mãe pensou que ele ficaria mudo porque não falava até os cinco anos de idade, todavia, depois, tornou-se o mais falante de toda a família e ainda hoje o é!

PRIMEIRA COMUNHÃO DE JOSÉ E TERESA.


José e Teresa fizeram a Primeira comunhão juntos. Naqueles tempos, o Dia da Primeira Comunhão era dia de festa grande, a família inteira, vizinhos e conhecidos se reuniam, para comer e beber, com direito à música de gaita e violão e até dança de levantar poeira no terreiro ou arrasta-pé animado dentro da sala como se fosse um casamento.

Na sua infância enfrentou graves problemas. Exemplo: apanhava na escola por não saber ler. Mas, sobre seus problemas, falaremos em outra oportunidade.

APRECIAÇÕES FINAIS. Ao contar a história de José Kormann nas suas diferentes fases de vida, evidenciamos o espírito de luta de uma pessoa, que começou, ainda dentro do ventre da mãe, uma guerra de vida e morte e, contra todas as evidências, já nas garras da morte, saiu vitorioso depois de um dia inteiro de luta. Esse primeiro triunfo na história da sua vida estendeu-se para toda a família. A interferência Divina foi decisiva para que, nos 80 anos seguintes de vida, pudesse continuar a luta nas inúmeras realizações que efetuou com sucesso e que tanto bem fizeram a um incontável número de pessoas.

DEPOIS DE 80 ANOS.


Depois de 80 anos vividos, o sorriso vitorioso continua o mesmo!

Ele é um espelho no qual devemos nos espelhar!

Obrigado! Um abraço de Celso e outro de Mariana!



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