A história, o historiador e o monumento

Celso e Mariana Carvalho

Sabia que em Rio Negrinho há um monumento contando a história de Rio Negrinho bem no comecinho, lá pelo início do século XX, mais ou menos na primeira década de 1900?

Esse belo monumento está localizado no alto da comunidade interiorana de Colônia Olsen que foi onde Rio Negrinho começou.

CAMINHO DOS TROPEIROS. 

Lá está a cruz, ainda sem a imagem de lata do Cristo crucificado, à beira da picada que era o único caminho de Colônia Olsen para a Estrada Dona Francisca. 

Naqueles tempos, no início dos anos 1900, os tropeiros vindos de Santa Cecília entravam nos pampas do Rio Preto, vinham em direção de - hoje - Rio Casa de Pedra, subiam, com suas boiadas, até Colônia Olsen, passavam pelo cemitério, passavam pelo local onde hoje está a igreja de São Pedro, ainda em Colônia Olsen, desciam pela única picada aberta por mulas que ligava Colônia Olsen à Estrada Dona Francisca - hoje BR 280 - para, então, viajarem pela Estrada Imperial Princesa Dona Francisca já aberta até Joinville onde vendiam os bois.

PRECE AOS PÉS DA CRUZ. A figura retrata a devoção e o respeito das pessoas em relação ao transcendental.

Naquela estradinha, José Pscheidt, avô de José Kormann, mandou erigir uma cruz de madeira na beira da estrada, à direita de quem desce. Na cruz fixaram uma imagem de Jesus crucificado feita de lata, e ao lado dela uma imagem de Nossa Senhora e um anjinho. Nos primórdios não havia imagens e se quisessem uma deveriam fabricá-la, por isso a fizeram de lata.

Esse espírito religioso era oriundo dos costumes europeus onde viviam seus antecedentes.

Os tropeiros, que por ali passavam tiravam o chapéu, em sinal de profundo respeito se ajoelhavam, faziam suas orações, depois seguiam viagem contentes e certos de que a proteção divina os acompanharia.

Assim, também procediam os moradores locais então, aquele lugar passou a constar como parada de encontros e orações e, na falta de uma igreja que ainda não fora construída, as missas eram ali oficiadas.

A cruz ficava no terreno de José Pcheidt que tinha muito orgulho do rústico monumento religioso.

Um dia, uma forte ventania derrubou a cruz e carregou as imagens. Foi feita outra cruz e a devoção dos transeuntes continuou. 

A PRIMEIRA IGREJA DE MADEIRA EM COLÔNIA OLSEN - 1918. 

Erigida pelos colonos, que não mediam esforços para melhorar o lugar onde moravam.

Colônia Olsen foi se desenvolvendo, em 1911, lá foi construída a primeira escola, depois, em 1918, a primeira igreja de madeira. Assim, os católicos passaram a frequentar a igreja com rezas e missas, mas a cruz continuou lá na beira da picada, chamando a atenção dos que passavam e continuavam rezando em genuflexão fazendo seus pedidos a Deus.

Um fato interessante: Os viajantes depositavam dinheiro aos pés da cruz que era recolhido por José Pscheidt e guardado para a futura construção da primeira igreja.

Os tempos eram outros, não haviam ideias e costumes corruptivos e, com toda certeza, nenhum centavo das doações foi usado para benefício próprio da família dona do terreno, mesmo porque a educação religiosa naqueles tempos era rígida e o respeito para com coisas divinas era absoluto.

Com o passar do tempo a estrada foi alargada e a cruz foi doada para o museu, mas desapareceu.

O LIVRO DE JOSÉ.

Foram anos de estudos e pesquisas para que todo o conteúdo do precioso livro pudesse vir à público. José enfrentou inúmeras dificuldades até chegar na publicação desse livro, desde a falta de dinheiro para a impressão até a oposição de muita gente que não queria sua publicação. 

Em 1980, por ocasião do Centenário de Rio Negrinho, José Kormann escreveu o livro RIO NEGRINHO QUE EU CONHECI e, com o dinheiro da venda dos livros mandou construir, no exato local da antiga cruz de madeira, um monumento que até hoje lá se encontra. 

Mais um fato interessante: Depois de quase cem anos transcorridos desde o episódio da cruz na beira da estrada até o ano de 1980, outra vez o fato se repetiu na quase totalidade. José, neto do outro José, guardou o dinheiro da venda do seu livro para construir o monumento. Tal avô, tal neto!

JOSÉ AUTOGRAFANDO SEU LIVRO. 

A venda do livro foi absoluto sucesso, inclusive faltaram unidades para atender a todos que o desejavam.

No monumento consta uma cruz de concreto bem maior que a original, uma poesia do próprio autor do monumento e gravada na parede frontal do muro da bela edificação, três quadros pintados representando a evolução do catolicismo em Rio Negrinho e uma escadaria de concreto que dá acesso à cruz no alto do monumento.

Transcrevemos, a seguir, a poesia de José Kormann.

A CRUZ.,

I. Caminheiro que aqui passas 

Junto ao símbolo da luz, Eu te peço sempre faças, Com fervor e muitas graças, O Sinal da Santa Cruz.

II. E se o tempo não for curto Veja bem o meu irmão É do mal tão grande surto Que é preciso não ser furto No trabalho e na oração.

III. Se perdeste a luz querida Que na vida te conduz Terás sempre nesta lida Caminho, verdade e vida De Jesus na Santa Cruz.

Com seu livro José matou vários coelhos com uma só cajadada:

a- Trouxe à tona a História de Rio Negrinho, fruto de anos de pesquisas,

b- Abrilhantou as festas do Centenário,

c- Construiu o monumento em Colônia Olsen,

d- Parte do lucro das vendas do livro foi doada ao Hospital,

e- Com o monumento levou mais fé aos corações e,

f- Alegrou os céus porque o monumento não é só uma homenagem ao imigrante e ao colono, mas, principalmente, ao Criador que foi Quem lhe inspirou!

g- E, Colônia Olsen ficou mais bonita.

O MONUMENTO. 

Lá está ele, transpirando história e beleza. 

Sempre que escrevemos sobre José Kormann, temos o prazer de fazê-lo com esmero e especial cuidado, porque seus muitos feitos em pról da região são de elevada importância e, considerando que o autor e seus feitos espalham aquela luz querida que conduz ao caminho, à verdade e à vida, citada na última estrofe da sua admirável poesia, cada vez mais devotamos-lhe nossa admiração e respeito.

Dr. José Kormann, você é um notável espelho não somente para nos espelharmos nele, mas, mais que isso, um espelho que reflete a Grande Luz do Grande Sol Universal!  

Com muita alegria, aqui terminamos a página de hoje. Um grande abraço de Celso e de Mariana ao querido leitor desejando que Mamãe e Papai do Céu estejam com você! Obrigado e até a próxima!



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