O hipnotismo das ideologias

08 Fevereiro 2019 12:58:00

Vivemos o auge da era do hipnotismo das ideologias.

Dirceu Detroz

Nos países de Primeiro Mundo a alternância de ideologias no poder é bem mais comum do que no Brasil. Entretanto as diferenças são gritantes. Nas democracias do Velho Mundo, nenhuma ideologia que tome o poder através do voto se esquece do seu dever para com a sociedade e decide apertar o botão reiniciar. 

Diferente na nossa, essas sociedades sabem qual é o significado da ideologia que estão colocando ou tirando do poder. Sabem que suas vidas não mudarão do dia para noite nem em longo prazo, porque o botão reiniciar está coberto com o sinal de proibido. 

No Brasil, antes do advento das redes sociais pouco de falava em ideologia. Não se falava porque a palavra era totalmente desconhecida da maioria dos brasileiros. Muitos só ouviram falar e agora se acham expert no seu significado, por causa do surgimento das redes sociais e de Jair Bolsonaro. 

Vivemos o auge da era do hipnotismo das ideologias. Nas duas eleições de Lula, uma minoria votou nele sabendo que o Partido dos Trabalhadores era de esquerda. A verdadeira massa que elegeu Lula acreditava inocentemente no trabalhador que mudaria o país, nos colocando num lugar de destaque no mundo. 

Mesmo que os brasileiros nada soubessem de ideologia, ela sempre acompanhou quem chegou ao poder. A história nos mostra que de uma ou de outra maneira todas fracassaram. E qual foi o motivo do fracasso? Todas queriam mais do que apenas o botão reiniciar. Queriam formatar o HD. Tirar da sociedade o que havia antes. 

Vamos explorar apenas o período de redemocratização pós-ditadura. A nossa redemocratização plena só acontece com a promulgação da Constituição de 1988, e vamos esquecer de José Sarney. Um dos nossos maiores flagelos políticos democráticos. Se não for o maior. 

Collor de Mello, com sua ideologia "caçador de marajás" conseguiu hipnotizar até a rede Globo. A ideologia malsucedida de Collor trouxe algo de bom. Do seu ninho, os tucanos se aproveitaram do "Plano Real" e trouxeram estabilidade econômica para o país. Com a ideia de formatar o HD, a ideologia tucana encontrou um trabalhador. No meu caminho havia um trabalhador, havia um trabalhador no meu caminho. 

Obrigado pelos empresários, Lula salvou a economia num disquete (ainda não existia pendrive), e formatou o HD. Até o papel de parede mudou para a cor vermelha, só percebida pelos brasileiros muito tempo depois. 

Estamos no limiar de uma nova formatação no HD. Os sinais são preocupantes, mas o hipnotismo da ideologia também pode causar cegueira. Para o castigo da sociedade, os formatadores da direita se apresentam tão ruins quanto eram os da esquerda.



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