Rio Negrinho Extinto 8

09 Novembro 2018 11:30:00

Assim aconteceu com Rio Negrinho

Celso Carvalho

Considerações iniciais.

Tudo muda, tudo se transforma. Quando há mudança e transformação por força de necessidades ou por qualquer outro motivo, muitas coisas desaparecem e no lugar delas outras aparecem. Assim aconteceu com Rio Negrinho. No começo, pouco avanço, mas, com o passar do tempo, tudo foi se acelerando, ruas foram abertas, casas construídas, aterros aqui e ali. Mais uma vez, mostramos coisas, costumes e construções que sumiram da nossa cidade. 

Começamos pelo cortejo fúnebre, que ia da casa do falecido até o cemitério.

Procissão de Enterro.

A mortalha com o defunto era transportada em um carro fúnebre especialmente preparado e enfeitado para este tipo triste de procissão. Em tempos antigos, familiares, visinhos e conhecidos iam atrás caminhando. Depois, mais tarde, já se fazia uso de automóveis. Atualmente, o cortejo fúnebre se faz com veículo moderno de funerária acompanhado de carro atrás. Não mais se vê pessoas andando a pé atrás de uma carroça levando defunto. Num desses enterros com carroça fúnebre alguém comentou: - "Sô loco, meu! Desse jeito não dá vontade de morrer, não!

Máquina de Costura.

Para acionar a agulha que costurava os tecidos era preciso pedalar numa espécie de plataforma acionada pelos pés. Outras máquinas de costura funcionavam manualmente. Assim, a costureira e o alfaiate teciam roupas dos mais diversos tipos: ternos, camisas, calças, etc.

Caminhão de tora da Móveis Cimo.

Essa realidade se repetia em todos os dias úteis da semana. A cena de caminhões transitando com enormes toras pelas ruas da cidade até o pátio da Cimo era comum. Grandes árvores eram derrubadas, serradas em forma de toras e içadas até a carroceria do caminhão e trazidas do mato para a cidade. Hoje, não há mais caminhões puxadores de toras desse porte, as grandes e grossas imbúias estão extintas e há máquinas especiais para o abate das árvores que as cortam em toras de tamanho desejado; as grandes pilhas de madeira, que a fotografia mostra no pátio da Cimo, também deixaram de existir. Acena completa da fotografia é coisa do passado.

Fachada principal da Companhia Industrial de Móveis.

Talvez, este foi o maior crime cometido contra a comunidade rionegrinhense: a falência e extinção da Cimo. Ela foi extorquida, exaurida, derrubada e consumida por completo, restando apenas a sua chaminé que continua no mesmo lugar, imponente, lembrando o bem e o mal. Lembra o bem porque a Cimo foi o ganha-pão de milhares de famílias durante longo tempo e foi a maior alavanca para a criação e o progresso de Rio Negrinho projetando-o no cenário internacional; lembra o mal porque o procedimento astucioso empregado para que os fins justificassem os meios para a execução da sua extinção foi ardiloso.

Quitanda do Gaúcho.

Durante muitos anos, em frente ao atual museu, funcionava a chamada Quitanda do Gaúcho onde Ery Krestschmer, o Gaúcho, vendia frutas e uma porção de outras coisas. Ery foi apelidado de Gaúcho porque nasceu no Rio Grande do Sul na cidade de Venâncio Aires. Gaúcho escrevia sobre vários assuntos para um jornal local, era torcedor fanático do time de futebol do Ipiranga, tinha um cachorro inteligente que posava para fotos. Gaúcho faleceu no ano de 2006 acometido por câncer. Deixou saudade nos meios sociais onde atuava e sua quitanda não existe mais.

Primeira Festiva Literária

Academia de Letras de Rio Negrinho.

A Academia está bem viva e atuante e promove neste sábado a 1ª Festiva Literária Entrelaçando Culturas. Acontecerá em 10 de novembro de 2018, movimentando toda a cidade de Rio Negrinho visando, de forma polivalente, agraciar as mais diversas formas culturais. Contará com a participação de pessoas que marcaram e continuam marcando histórias na cidade, a exemplo disso cita-se os lançamentos de livros do Doutor Professor José Korman, do Professor Marcos Alberto Von Bahtenn e dos alunos do Caminho do Saber- orientados pelas Professoras: Eleana K. Anton e Catarin Dums. Estes lançamentos trazem suas peculiaridades literárias nas obras originais a serem saboreadas pelos mais diversos paladares dos leitores. Demais disso, no dia festivo, apresenta-se em seu cronograma, quais poderão ser apreciados pelos Rio-negrinhenses, as Conferências de temas de relevância atual e regional a serem desvendados pelos seguintes PALESTRANTES: Engenheiro Magno Bollmann, também pelo Psicólogo Lincoln Pedro Drosdek e pelo Dr. Alexandre Assis Tomporoski, em local único, qual seja, na Câmara de Vereadores conforme programação em anexo.

Em outros pontos da cidade também acontecerão simultaneamente, como: Praça (Avião) Ten. Oldergar Olsen Sapucaia, com mostras literárias Sesc, Bazar de Livros com Associação de Amigos da Biblioteca, Voz e violão com Elcio Vier e Leandro de Araujo, Oficina de Bolhas de Sabão e Pintura Facial com a professora Patricia Boller, o Poder da Rima - Malabares - Rap com Mano Shark, Contação de História com Professora Vanisse T. de Oliveira e, finalmente, Pintando na Praça com ARNAP. No Supermercado Germânia entrada da COHAB será apresentado Studio de Dança com Sabrina Chacorowski, também Mostra Literária Sesc e, finalmente, Contação de Histórias Sesc com Deisi Correa. Por fim terá no Pátio da Igreja Matriz Santo Antônio de Pádua apresentação do Coral Infantil da Fundação de Cultura de Rio Negrinho Regente Professora Kelly Sonia Ramos, Coral Chuva de Prata da Fundação de Cultura de Rio Negrinho Regente Gelson Reichardt e, derradeiramente, Grupo de Dança da EMEBI Padre Claudio Longen "Batalha dos Sete Mares".

Convite para a 1ª Festiva Literária.

Contudo, o evento não se limita a ser uma festa ou uma feira. A primeira, com seu caráter esperançoso, se empenha em ser principalmente um encontro de autores que falam sobre sua experiência de escrita nas mais diversas formas de expressão, como gestos, pinturas, danças, artes, retórica e principalmente com o propósito de espalhar o amor cultural de um povo. A segunda tem principalmente o objetivo de expandir o desejo de ler livros. Creio que esta Festiva Literária Entrelaçando Culturas inclui essas duas coisas, mas é mais abrangente, não só porque faz a literatura conectar-se a várias outras linguagens - vai muito além, vai de encontro com a Esperança por tempos melhores através da Cultura.

Apreciações finais. Acesse às informações ao folder da Festiva Literária. Nele estão todas as informações necessárias indicando locais, horários, personagens e atividades que serão desenvolvidas neste importante evento cultural. Rio Negrinho necessita cultura e lazer e a Academia de Letras nutre esta necessidade. Por hoje é só! Obrigado! Um abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!



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