Rio Negrinho Extinto 7

05 Novembro 2018 10:45:00

Continuidade às curiosidades da história de Rio Negrinho.

Celso Carvalho

Rio Negrinho na década de 1960 e antes 

Considerações Iniciais.

Nesta fotografia, marcamos sete pontos que deixaram de existir na cidade de Rio Negrinho. Os motivos de estarem extintos são os mais diversos: fatalidades, ação humana devida e indevida e ajustes ao progresso. Os pontos enfatizados são: 1. Viagens de trem; 2. Sociedade Lira de Cantores; 3. Grupo Escolar Rio Negrinho; 4. Salão Lampe; 5. Intendência e Prefeitura Municipal; 6. Cine Rio Negrinho; e 7. Pilhas de madeira da Móveis Cimo. Sobre cada um deles falaremos um pouco nesta edição. Em outras edições aprofundaremos os comentários.

Trem em 1933.

As viagens de trem até São Francisco do Sul e até Mafra aconteciam em todos os dias. Nos finais de semana os passageiros lotavam os vagões. Assim foi até na década de 1960. Atualmente, a Maria-fumaça leva passageiros até uma altura do trecho, talvez, algum dia a viagem completa até São Francisco do Sul volte a ser realidade.

Sociedade de Cantores de Rio Negrinho.

Inaugurado em 1937, este salão abrigou as primeiras freiras que vieram a Rio Negrinho, em 1947, para administrar o Educandário Santa Teresinha, atual Colégio São José. Mas o colégio só ficou pronto nos primeiros anos da década de 1950, então, as freiras passaram a morar ali, na Sociedade, e ali lecionaram até o colégio ficar pronto. A Sociedade de Cantores, tal qual o Salão lampe, foi destruída por um violento incêndio. Depois, no lugar, construíram o Banco do Brasil, que também foi consumido totalmente pelo fogo.

Grupo Escolar Rio Negrinho.

Esta escolar, ao lado da Igreja Santo Antonio, foi a primeira dentro da cidade de Rio Negrinho. Inaugurada em 1919, funcionou até 1932 quando foi derrubada por um poderoso tornado. Vemos, na foto, o professor Roberto Hoffmann ministrando uma aula de Educação Física.

Salão Lampe.

Esta foi a primeira fotografia obtida do salão. Sobre ele temos feito várias reportagens contando sua história desde sua fundação em 1926 até virar cinzas em 1974.

Prefeitura Municipal.

Em 1925, este prédio foi construído para abrigar a Intendência do Segundo Distrito de São Bento do Sul que funcionou até 1953, pois em 1954, Rio Negrinho foi elevado à categoria de Município e o prédio passou a ser sede do governo municipal. Quando, na gestão do prefeito Romeu Albuquerque, a prefeitura foi transferida para outro endereço, ali foi instalado o Fórum que funcionou até que um incêndio o tornasse inadequado para tais atividades. Também, durante muitos anos, no mesmo prédio, na Praça do Avião, estava a delegacia, o correio e a telefônica, tudo funcionando ao mesmo tempo. Pena que, após o incêndio, foi derrubado. Muita gente acha que seria muito melhor se tivesse sido reformado e mantido seu estilo original porque representaria um importante marco da história de Rio Negrinho e sua visão física valorizaria muito a Praça do Avião.

Cine Rio Negrinho.

Inaugurado em 1946, acolhia multidões, que sentadas nas confortáveis poltronas da Móveis Cimo, não perdiam um único bom filme. Sobre esta casa de espetáculo também já fizemos várias reportagens. Um dos mais contundentes motivos que contribuíram para o seu desaparecimento foi a introdução da TV nos lares. As pessoas passaram a preferir seus sofás na sala de estar em vez das poltronas da Móveis Cimo no cinema. Na foto, é o prédio da esquerda.

Pilhas de madeira no pátio da Móveis Cimo.

A Banda Municipal Rio Negrinho tocou em frente a algumas das grandes pilhas de madeira da Cimo em 07 de Setembro de 1974 (foto). Havia madeira para tocar a grande e famosa indústria de móveis por 50 anos sem necessidade de repor uma única tábua. No entanto, o que aconteceu foi bem diferente do previsto. No início da década de 1980, sinais de debilidade empresarial tornaram-se evidentes e, em pouco tempo a Cimo afundou em falência total. Como lembrança só restou a chaminé, ainda hoje venerada como símbolo de um Rio Negrinho de alto potencial fabril e representando milhares de trabalhadores que levavam o pão de cada dia para suas casas graças ao generoso salário ali conquistado.

Salão Lampe.

Em várias reportagens em edições passadas, temos abordado vários assuntos sobre este grande monumento histórico que foi devorado pelo fogo em dezembro de 1974. Este salão deixou saudade não somente aos dançarinos e aos amantes da arte e da cultura, mas a todos que o conheceram e dele fizeram uso. Rio Negrinho que sentiu-se órfão deste amado centro cultural e de lazer.

Apreciações finais.

Rio Negrinho, ao longo do tempo, foi se modificando em virtude da pressão natural do progresso. A população aumentou, casas se multiplicaram, ruas foram abertas...tudo conspirou para uma Rio Negrinho bem diferente daquela quando multidões de ciclistas, às 7:00h, iam para o trabalho na Móveis Cimo e, às 11:30h, voltavam para o almoço em casa; Às 12.30h iam e às 17:15h voltavam. As pessoas andavam muito a pé. Hoje, poucas caminham. É só contar nas ruas a quantidade de carros e de pessoas a pé. As distâncias aumentaram e o tempo encurtou. As necessidades são outras. Assim, Rio Negrinho caminha a passos largos para um futuro talvez promissor, talvez incerto. Não sabemos! O tempo vai responder! Por hoje é só! Obrigado! Um abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!



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