Rio Negrinho Extinto 6

26 Outubro 2018 12:25:00

Continuidade às curiosidades da história de Rio Negrinho.

Celso Carvalho

Considerações iniciais.

"Rio Negrinho Extinto", não significa que este belo município esteja extinto, muito pelo contrário, Rio Negrinho está singrando os mares do progresso de vela em popa. A cidade de alguns anos atrás está, hoje, irreconhecível. Aquilo que resumia-se num pequeno centro perto de tudo e de todos, alastrou-se de maneira espantosa e de modo bem mais organizado que antes. O compadre da Rua do Sapo, em poucos minutos de caminhada, visitava o compadre da Rua do Sepo. Atualmente, o compadre do bairro Barro Preto para visitar o compadre no final do bairro Lençol, a quilômetros de distância, tem que fazer uso de um automóvel porque a pé a coisa se complica, e muito. É disso que estamos falando: aquele pequenino Rio Negrinho - algumas casas, fábricas, costumes e hábitos, profissões e muitos outros aspectos da cidade antiga - extinguiu-se. Algumas extinções lamentáveis e reprováveis, outras, aplausíveis e aprováveis. Citamos alguns desses aspectos: O trânsito de carroças pelas ruas da cidade hoje está inconcebível; As roças de milho, de aipim, de batata... nos quintais das casas, na cidade desapareceram por completo; A multidão de trabalhadores pedalando bicicletas, indo e vindo do trabalho na Móveis Cimo nunca mais vai acontecer, mas ficou na lembrança dos que viveram naqueles tempos; As famílias que se juntavam nos portões das suas casas e iam juntas, tagarelando, para a igreja assistir à missa aos domingos é coisa de um passado já bem distante; As boiadas que passavam levantando pó pelas ruas da cidade, guiadas e controladas por valentes cavaleiros que viajavam centenas de quilômetros acompanhando o gado, nunca mais; As filas de freqüentadores de cinema e tantas maravilhas do que foi Rio Negrinho ficarão cobertas pela escuridão da ignorância e jamais as novas gerações terão o privilégio de saborear as lindas imagens de uma época coroada de calor e integração humana quando a vida era melodiosamente rimada e consonante. Tudo será esquecido se não houver a ação de historiadores, pesquisadores e mais alguns que dão valor e se interessam pelo nosso passado. Esses fazem exalar no ar o perfume epopéico da primavera rionegrinhense. Para mostrar o que foi extinto em Rio Negrinho, faremos uso de algumas fotografias aéreas e através delas, focaremos áreas específicas. Poderemos, então, reviver imaginariamente a vida naqueles idos. Nesta feita, nos limitaremos a poucos comentários sobre cada uma das fotografias, contudo, em edições consequentes, entraremos em maiores detalhes sobre os assuntos ventilados.

Foto aérea de Rio Negrinho na década de 1960.

A numeração indica o local e o quê havia nele: 1. Fábrica de móveis de Afonso klaumann; 2. Moinho de trigo dos kirschbauer; 3. Fábrica de móveis de Péricles Virmond (o Didi); 4. Fábrica de móveis dos Ribeiro; 5. Palco das bandas musicais no pátio da Igreja Santo Antonio; 6. Pátio arborizado da igreja (pés de cedro); 7. Sociedade Lira de Cantores; 8. Casa do dentista Klaumann; 9. Salão Lampe; 10. Pátio de ginástica e campo de futebol do Grupo Escolar Marta Tavares; 11. Torrefação (Fábrica de Café Rio Negrinho); 12. Serraria do Sr. José Bail; 13. Fábrica de Calçados Ruby; 14. Olaria do Sr. Engel; 15. Móveis Cimo. Estes são alguns pontos onde se localizavam construções que foram extintas. Tão logo estes forem analisados, passaremos para outra área de Rio Negrinho, com outras fotos, onde aparecerão novos pontos extintos. As fotos, a seguir, foram ampliadas para melhor identificação pelo número na primeira fotografia.

Móveis Klaumann.

Essa indústria, localizada no lado oposto da Igreja Luterana, na Rua do Seminário, foi um dos destaques moveleiros do município. Abrigava centenas de trabalhadores. Sua chaminé ainda permanece no local que abrigará o futuro Mercado Germânia que ali está sendo construído.

Moinho de Trigo dos Kirschbauer.

Situada próximo à Sociedade Musical, por longos anos moeu e fabricou farinha e trigo para toda a região. Seus produtos eram competitivos no mercado e muito elogiados por sua boa qualidade.

Fábrica de Móveis de Péricles Virmond.

Péricles era conhecido como DIDI que foi Intendente de Rio Negrinho por duas vezes e dono da Farmácia onde hoje, está a Miner, ao lado do Café Cedro Rosa. Sua fábrica ficava bem ao lado da Sociedade Musical.

Fábrica de Móveis dos Ribeiro.

Ficava exatamente no pátio da atual Cofermaco, no Centro da cidade. Não era um bom local para uma indústria visto que as enchentes facilmente a atingiam causando enormes prejuízos. 

Palco das bandas.

Área coberta especial para reuniões e apresentação de bandas nas festas. A igreja Santo Antonio, sempre organizou grandes e lindas festas abrilhantadas por ótimas bandas musicais, como a Banda Musical Rio Negrinho, por exemplo. O povo acorria em peso e passava o dia festando.

Pátio arborizado da Igreja Santo Antonio.

A área de festa, o pátio da igreja, era uma pequena e linda floresta de gigantescos pés de cedro, que ofereciam sombra e um certo charme ao local, além de embelezarem o ambiente. Olhe à esquerda, na fotografia, quantos cedros! Que pena! Foram derrubados sob alegação de vários motivos.

Apreciações finais.

Um dos fatores interessantes do Rio Negrinho antigo é que não havia desemprego. Muitas fábricas no centro e na periferia da cidade, três delas já citadas, e tantos outros pontos de serviço garantiam o pão de cada dia da população. Com salários, mais substanciais que os atuais, se vivia muito bem. Dava para comer, para vestir, para viajar e para o lazer. Na verdade, hoje, não trabalha quem não quer! Outro fator interessante era o lazer. As oportunidades de entretenimento eram muitas: futebol de campo, parques de diversão, circos, teatros, corridas de rua a pé ou de bicicleta, festas e bailes, visitas e passeios nas casas dos parentes e amigos, etc. Não havia televisão, computador, telefone celular e vídeo game para atrapalhar! A interação afetiva e social entre as pessoas dava mais gosto à vida! Por hoje é só! Obrigado! Um abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!



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