Rio Negrinho Extinto 14

25 Janeiro 2019 10:50:00

Vamos mostrar coisas que no passado foram úteis, mas, que com o passar do tempo, foram substituídas por novas tecnologias.

Celso Carvalho

Considerações Iniciais.

Nesta série de reportagens, temos mostrado e ainda mostraremos coisas que no passado foram úteis, mas, que com o passar do tempo, foram substituídas por novas tecnologias. O ferro de passar roupa, balanças, relógios, máquinas de calcular e de escrever, porões que refrescavam alimentos e bebidas, telefones, suspensório, cachimbo, uso do chapéu, cigarros-palheiros, tamanco, conga e tantas outras coisas e objetos desapareceram ou quase desapareceram do uso cotidiano das pessoas. Há tantos usos e costumes que mudaram. Por exemplo, na igreja, os homens sentavam à direita e as mulheres à esquerda; para comungar era preciso estar em jejum; os padres usavam batina em qualquer lugar que fossem; o sermão era proferido do púlpito; a missa era rezada em Latim; a maioria dos homens usava chapéu; nos dias de chuva usava-se galocha; houve o tempo da alpargata e do sapato com biqueira de ferro para não gastar o bico do sapato; das roupas íntimas feitas de saco; da cama com colchão de palha; dos filhos que pediam a bênção para os pais e para os padrinhos; das corridas de cavalos; da rinha de galos de briga; do namoro na varanda; dos lampiões a querosene nos postes e nas casas; da caneta com bico de pena; do leiteiro domiciliar; das festas de noivado; do uso do suspensório; do bibico na cabeça do estudante; de acompanhar enterro a pé de casa até o cemitério e da carroça fúnebre; do pirão (comida); de tirar água do poço com balde, das roças de milho no quintal de casa, etc, etc. A lista de usos e costumes é enorme. Hoje daremos continuidade com alguns destes assuntos. Iniciaremos por um breve histórico da invenção do isqueiro. 

História do Isqueiro ou trubisco

Johann e sua invenção.

O alemão e seu isqueiro à gás. Ele vendeu mais de um milhão de "trubiscos". É como diziam antigamente: "lavou a pitiça"! Todo mundo sabe que o fogo é o resultado da combustão de um combustível. O isqueiro nada mais é que um recipiente feito especialmente para o acúmulo de combustível. O primeiro isqueiro, cuja invenção é creditada ao químico alemão Johann Dobereiner, armazenava gás hidrogênio. O gás flutuava sobre um catalisador de platina aquecido que dava início à combustão. A chama era suave e consistente, mas exalava um odor muito desagradável. Ainda assim, a invenção de Johann, que ficou conhecida como "lâmpada de Dobereiner", tornou o acendimento de fogueiras e cachimbo muito mais prático, proporcionando uma conveniência nunca vista antes. A invenção foi tão bem-sucedida que ele supostamente vendeu mais de um milhão de isqueiros.

A história do cachimbo no mundo

Tipos de Cachimbos.

O uso do cachimbo iniciou-se nas Américas no período pré-colombiano e fazia parte dos rituais sagrados dos povos ameríndios significando, para algumas culturas, a união do mundo terrestre representado pelas folhas com o celestial representado pela fumaça. O primeiro contato do mundo civilizado com a nicotina ocorreu no século XVI. Esta chegou à Europa por quatro caminhos: Espanha, Portugal, França e Inglaterra, espalhando-se rapidamente para outros países. A maneira comum de consumi-lo foi o cachimbo e cinqüenta anos após a sua chegada, era usado em todo o continente por nobres, plebeus, soldados e marinheiros. Para os ricos, criaram-se as Tabagies, onde homens e mulheres se reuniam fumando longos cachimbos.

Roberto Carlos fumando cachimbo.

Muitos famosos divulgavam fotos fumando cachimbo para firmar sua imagem como pessoas ricas e importantes na sociedade. A partir do século XVII, na Europa, praticamente todos os generais, soldados e populares fumavam. Um exemplo disso é navio sueco Vasa que afundou no ano de 1628. Em 1961, foi localizado e graças à baixa salinidade da água na região do naufrágio, estava praticamente intacto. Após muito trabalho, o navio foi içado, recuperado e levado para um museu em Estocolmo. Entre os utensílios do referido navio, recuperaram-se centenas de cachimbos de argila, testemunhando que no início daquele século, o tabagismo estava bastante difundido. A história do cachimbo vai longe e, obviamente, não caberia numa única página de jornal. Os fabricantes e os comerciantes afirmam que os cachimbeiros dispõem de um trunfo: a menor nocividade do cachimbo em relação ao cigarro! Engano total, pois sabe-se que consumidores de qualquer forma de tabaco encontram-se sujeitos a mais de cinqüenta problemas de saúde. Não há forma ou quantidade de consumo de tabaco que possa ser considerada segura.

Fumo de rolo.


Descrição: Fumo de rolo, ou fumo crioulo, ou ainda fumo de corda, é um tipo de fumo torcido e enrolado, normalmente utilizado para confeccionar cigarros de palha, mas também consumido mascando-se pequenos pedaços. Há também várias receitas que utilizam fumo de rolo para combater pragas em hortas domésticas.

Fumo para mascar.

Este tipo de fumo era colocado na boca e mascado até virar uma pasta. Hábito que substituía as tragadas de fumaça do cigarro. Gosto estranho mas adotado por muita gente. O hálito do mascador era insuportável! Havia o fumo "macaio" que era da pior qualidade, barato, mas produzia uma fumaça de cheiro muito ruim. Mesmo assim, pessoas de "caixa baixa" fumavam aquela tralha.

Cigarro de palha.

Descrição. O cigarro de palha é composto, basicamente, de um punhado de tabaco, envolvido por uma palha de milho, podendo haver pequenas modificações nesses dois componentes. Primeiro picava-se o fumo de rolo que era envolvido por uma palha. Dava-se um lambida nas bordas da palha para que uma grudasse na outra formando assim um cigarro. O cigarro de palha, contrário ao que se divulga, tem 5 vezes mais nicotina que o cigarro industrializado, portanto o risco de dependência também cresce.

Plantação de Tabaco.

Tudo começa lá na roça. A plantação de tabaco é uma atividade bastante concorrida nos meios rurais que ainda persiste movida pelo significativo lucro. Os problemas começam aí. Muitos roceiros ficam doentes, intoxicados em contato com as folhas de tabaco. Para os plantadores de fumo essa atividade significa uma renda a mais no orçamento familiar.

Compostos do Cigarro. 

Vejam, olhem bem! Os quase 5.000 tipos de venenos que o cigarro contém provém desta espinha dorsal.

Apreciações finais.

Ao descrever as coisas que foram desaparecendo com o passar dos anos não pretendemos incentivar ao vício do fumo, mas o contrário. Também não pretendemos estender o assunto a maiores patamares. Limitamo-nos a curtas explicações e a pequenos resumos históricos. Tudo isso leva o leitor a entender como funcionava passado, a programar o presente e a prever o futuro. Nas próximas edições traremos mais curiosidades sobre tantas coisas que estão ou estarão brevemente extintas dos nossos meios. Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!



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