Rio Negrinho Extinto 13

Utilidades em desuso

Celso Carvalho

Considerações Iniciais.

Quando falamos em Rio Negrinho Extinto significa que estamos fazendo referência a tudo que um dia, nos tempos antigos, era usado e funcionava em nossa cidade - objetos, construções, costumes, veículos e até palavras - e que, hoje, não existe mais ou está em desuso. Como exemplo de palavras: "trubisco" significava isqueiro; "Bodega" era uma casa de comércio onde se vendia de tudo. Alguns entendiam como Bodega um barzinho onde, além de bebidas, também tinha várias mercadorias. Como exemplos de atividades profissionais, o Celeiro, a telefonista, o balconista e tantas outras profissões extintas. Como atividade caseira de economia, as roças de milho no quintal de casa. O milho era colhido no próprio quintal e não precisava comprá-lo; A patente, também chamada de casinha, nada mais era que um banheiro, geralmente construído de madeira fora do quadro da casa; Assar milho ou pinhão na chapa do fogão à lenha é uma atividade praticamente extinta, salvo raros casos. Fumar cachimbo e palheiro, andar de tamanco e usar suspensório são hábitos raramente vistos. 

Ferro de Passar Roupas Antigo.

Este ferro de passar roupas era usado até nos anos 50. A parte de cima levantava e abria. Dentro dele colocava-se brasas que aqueciam o aparelho. Enquanto as brasas estivessem acesas, o ferro funcionava muito bem como passador de roupas. Mais tarde apareceram ferros de passar roupas aquecidos à eletricidade. Esquentavam bem mais rápido, eram mais leves, economizavam tempo das donas de casa. Os primeiros ferros elétricos vinham com uma resistência de mica -uma lâmina brilhante- que de vez em quando devia ser trocada, pois cansava e queimava. Nos dias atuais, centenas de modelos de ferros eletrônicos facilitam a tarefa de passar roupas. Alguns, com controle remoto, podem ser programados ao bel prazer. Ligam e desligam sozinhos oferecendo muito conforto a quem os manipula.

Caixa Registradora. Muito usada no comércio.

Veja como funcionava: a) O funcionário (caixeiro) da bodega apertava as teclinhas numeradas para registrar o valor da mercadoria vendida; b) girava a manivela do lado direito, a sineta da maquininha fazia o som "plim" e a gaveta de dinheiro, na base inferior, abria. O caixeiro colocava na gaveta o dinheiro da compra e retirava o troco. C) girava novamente a manivela e a gaveta fechava.

Balanças de Armazém com dois pratos.

O quadro maior mostra uma balança Filizola de luxo e o quadro menor, uma balança mais simples, mas tão eficiente quanto a outra. Primitivamente eram usadas no comércio ou em qualquer lugar onde houvesse necessidade de pesar alguma coisa. Os pesos, peças de ferro, separados da balança, eram colocados em um prato e no outro prato a mercadoria. Quando os dois pratos estivessem equilibrados alcançavam o peso desejado. Os pesos tinham vários valores: desde 100 gramas até de 5 quilos. Para pesar 3,5 kg de arroz, por exemplo, colocava-se em um dos pratos um peso de 2kg, um peso de 1kg e mais um de 500 gramas. No outro prato, o balconista ia enchendo um pacote com arroz até que os dois pratos se equilibrassem na mesma altura.

Desafio:

Aproveitando o "gancho" da balança de dois pratos, tente resolver este desafio sem olhar a resposta no final da página: - São oito bolinhas iguais - todas com a mesma forma, mesmo tamanho e mesma cor, mas uma delas pesa uns gramas a mais que as outras sete. Só é possível descobrir qual é a bolinha com uma balança de precisão de dois pratos e com apenas duas pesagens.

Balança de um prato Filizola.

Essa, já mais moderna e prática, acusa o peso através do ponteiro no mostrador superior, facilitando muito a tarefa de pesar mercadorias.

Chave-Gancho para abrir tampa de caixa subterrânea (porão).

Na antiguidade não havia geladeira e as bebidas em bares e depósitos eram guardadas em porões, que eram buracos cavados na terra em baixo do assoalho. Lá a bebida ficava fresquinha. Para retirá-la, este gancho tinha duas funções: a ponta em forma de anzol levantava a tampa do buraco e com o outro lado do gancho uma argola engatava no gargalo da garrafa. Assim, segurada pelo gargalo, a garrafa era içada.

Relógio Patacão de Bolso.

Este relógio era coisa de rico. As calças masculinas possuíam um bolsinho na frente que abrigava esta jóia. O relógio era preso por uma correntinha nas presilhas da cinta ou do suspensório. Quem ostentasse um desses, era visto com certo respeito porque julgavam-no rico. O dono do relógio, quando rodeado de amigos, disfarçava, tirava o relógio do bolsinho fingindo ver a hora, dizia que tinha um compromisso e que logo precisava ausentar-se. Toda a encenação visava mostrar a peça rara e cara no bolso. Era um modo de mostrar-se importante.

Trubisco - Isqueiro.

Este modelo é um raro tipo Cápsula em Latão. Dentro do tubinho inferior havia querosene e dele saia um pavio de tecido (veja a foto) que acendia quando a rodinha era acionada. A rodinha com ranhuras esfregava em uma pedrinha que soltava faíscas. As faíscas atingiam o pavio embebido em querosene que pegava fogo. Os isqueiros eram mais usados para acender cigarros ou palheiros de fumantes, mas, também, serviam para muitos outros objetivos como para acender fogo em fogões. Hoje os fogões são elétricos: basta apertar uma tecla para acender as bocas do fogão. Amigo inseparável dos fumantes, o isqueiro se tornou muito popular ao longo dos anos por causa da praticidade oferecida na produção de fogo. No entanto, você já parou pra pensar como surgiu esse dispositivo que consegue produzir uma chama tão perfeita ao exigir apenas um movimento rápido do polegar? Este é assunto para a próxima edição.

Solução do Desafio das bolinhas.

Lembre-se que é permitido apenas duas pesagens. Primeiro método: Primeira pesagem: coloque 3 bolinhas em um dos pratos e 3 bolinhas no outro prato. Se um dos pratos baixar, a bolinha estará nele. Segunda pesagem: basta colocar uma bolinha em cada prato. A bolinha estará no prato que baixar. Se nenhum baixar, a bolinha mais pesada é aquela das três que ficou de fora. Segundo método: pese 3 bolinhas em cada prato. Se nenhum prato baixar, a bolinha será uma das duas que ficaram de fora. Aí basta pesar as duas bolinhas, uma em cada prato. O prato que baixar conterá a bolinha mais pesada.

Apreciação final.

Como vimos, na antiguidade, com a ausência de tecnologias mais avançadas, o pessoal se virava como podia e da melhor maneira. As invenções naqueles tempos caminhavam a passos lentos, diferente dos dias atuais, em que as invenções são tantas que fica quase impossível acompanhar a evolução de técnicas e invenções em todos os campos da atividade humana. Já há invenções e inovações prontas que só aparecerão daqui a alguns anos porque é preciso "gastar" as que estão em uso para depois comercializar as novas. Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!




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